Duas semanas depois das revelações sobre supostas conversas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes — episódio que mergulhou o Supremo em sua maior crise desde a redemocratização — a defesa do dono do Banco Master voltou a buscar na turbulência institucional um argumento para sua liberdade. Em petição enviada ao gabinete do presidente do STF, ministro Edson Fachin, os advogados pedem que a prisão preventiva seja revogada ou substituída por medida menos gravosa.

A estratégia da defesa explora diretamente a suspensão de atos processuais no próprio Supremo. Ao assumir a relatoria da questão sobre eventual investigação contra Moraes, Fachin determinou o encaminhamento de processos relacionados ao Master e a apurações sobre fraudes no INSS à Presidência da Corte, o que deixou a tramitação paralisada. O pedido de vista do ministro Flávio Dino, citado pelos defensores, pode retardar decisões por até 90 dias, segundo o documento.

Os advogados sustentam que essa indefinição processual não pode se traduzir em prisão por tempo indeterminado. Argumentam que o prazo para reavaliação da medida cautelar venceu no fim de agosto e que o Código de Processo Penal exige controle periódico da custódia preventiva. Segundo a petição, Vorcaro está preso preventivamente há seis meses e permanece há quase um ano sob medidas cautelares, sem que tenha sido oferecida denúncia formal contra ele.

O banqueiro está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, sob acusações ligadas a tentativa de ocultação de patrimônio, intimidação de terceiros e monitoramento ilegal, além da influência decorrente de sua capacidade financeira. A defesa também registra que propostas de colaboração foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, mas afirma que Vorcaro segue disposto a prestar esclarecimentos.

Além do benefício imediato ao réu, o pedido realça um efeito político e institucional: a paralisação no STF fornece munição para questionamentos sobre proporcionalidade e controle judicial da prisão preventiva, e ao mesmo tempo amplia desgaste sobre a Corte. A petição a Fachin transforma um embate sobre relatoria e competência em argumento jurídico para evitar o que a defesa chama de 'prorrogação indefinida do cárcere', ao mesmo tempo em que coloca o Supremo diante da necessidade de conciliar segurança jurídica e direitos fundamentais.