A Polícia Federal sustenta, na nova fase da Operação Compliance Zero, que o banqueiro Daniel Vorcaro revisava minutas de projetos de lei que teriam sido propostas pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os fatos constam em mensagens encontradas em dois dos oito aparelhos do empresário entregues aos peritos, e motivaram mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF.

Segundo o despacho, Vorcaro teria determinado a retirada de envelopes da residência do parlamentar com minutas de interesse do particular. Os documentos teriam sido levados a um 'escritório' indicado pelo banqueiro para revisão e, depois de processados, entregues a um servidor ligado ao senador. Na operação também houve pedido de prisão temporária de Felipe Vorcaro, primo de Daniel.

A investigação relaciona a atuação do senador a favorecimentos ao Banco Master e cita pagamentos mensais à conta do parlamentar, estimados entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de benefícios como quitação de despesas. A defesa de Ciro Nogueira divulgou nota negando participação em qualquer atividade ilícita e afirmou que o senador sempre atuou dentro da legalidade, colocando-se à disposição da Justiça.

O episódio acende alerta sobre a intervenção de interesses privados na elaboração legislativa e amplia o desgaste sobre figuras do entorno do bolsonarismo que ocuparam ministérios. Além do impacto jurídico, a narrativa reforça pressão política sobre o senador e seus aliados, que terão de explicar a origem e a natureza das comunicações e benefícios apontados pela PF.