Mensagens obtidas pela Polícia Federal em celulares apreendidos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam que o empresário e um aliado, identificado como Thiago Miranda, promoveram uma devassa na vida profissional e pessoal da jornalista Malu Gaspar após reportagens que questionavam a liquidez do banco. Os diálogos, datados de abril do ano passado, mostram troca de informações sobre contas, placa de carro e familiares, numa tentativa explícita de achar material para desgastar a colunista.

A investigação indica que, diante da ausência de fatos que pudessem desaboná-la, o grupo mudou de estratégia: ofereceu uma 'proposta milionária' para tentar impedir novas reportagens. As conversas citam ainda a possibilidade de contratação por revista do grupo Entre — ligado à Entre Investimentos, empresa que aparece como investidora do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro — como caminho para estancar a cobertura crítica.

O Globo divulgou nota repudiando a 'devassa' e classificou a ação como tentativa de calar a imprensa, lembrando que o mesmo grupo já teria ameaçado outro colunista. Do ponto de vista jornalístico e institucional, as mensagens expõem um modus operandi que não se limita à disputa de narrativa: envolve vigilância seletiva e uso de recursos para comprar silêncio, o que agrava o quadro quando há negociações em curso envolvendo o banco, como a tratativa com o BRB.

Além do risco imediato à liberdade de imprensa, o caso levanta questões sobre a responsabilização de agentes econômicos que recorrem a práticas de intimidação e sobre a transparência em operações financeiras de grande impacto. A PF segue com as apurações; a corte pública deste material exige respostas claras sobre responsabilidades e possíveis repercussões administrativas e penais.