O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi reconduzido à carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília na tarde de quinta-feira (23/4), após ser atendido em um hospital particular da capital. A saída da unidade ocorreu por volta das 12h50 para a realização de exames, depois de ele relatar presença de sangue na urina. Na segunda-feira (20/4) Vorcaro já havia sido consultado por um médico da própria PF responsável pela custódia.
A autorização para o atendimento fora da prisão foi concedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na noite de quarta-feira (22/4), em resposta a um pedido da defesa. Após a avaliação clínica e os exames indicados, o ex-banqueiro retornou à carceragem da PF, onde permanece enquanto avança na proposta de colaboração premiada a ser apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Vorcaro está preso pela segunda vez desde novembro do ano passado. Ele foi detido na primeira fase da operação Compliance Zero e chegou a ser solto; em março voltou à custódia por decisão do STF, confirmada por unanimidade pela Segunda Turma. A movimentação para exames fora da unidade e a tentativa de acordo com a Procuradoria colocam em evidência o estágio atual das apurações e o papel de colaboradores no esclarecimento de esquemas investigados.
Do ponto de vista jurídico e político, o episódio reúne dois vetores relevantes: a justificativa de saúde que motivou a saída para exames e o potencial efeito de uma colaboração premiada no avanço das investigações. Ainda que o atendimento tenha sido autorizado por motivos clínicos, o caso tende a atrair atenção sobre tratamento de presos de alta relevância e pode acelerar desdobramentos que têm impacto institucional e político nas próximas fases das apurações.