Fontes governistas disseram ao Correio que a votação da PEC da Segurança no Senado deverá ficar para depois do segundo turno das eleições. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não marcou sessões deliberativas no Plenário para esta semana, o que efetiva o adiamento de um projeto que estava na pauta desde 15 de outubro.
O atraso tem origem num impasse sobre a redução da maioridade penal. A oposição apresentou uma emenda que propõe baixar de 18 para 16 anos em casos gerais e para 14 anos em crimes hediondos; afirmou ter votos para aprovar o dispositivo separadamente, mesmo contra o parecer do relator, Rogério Carvalho (PT‑SE). Para tentar neutralizar o impacto, o líder do PT no Senado, Camilo Santana, apresentou alternativa que reduziria a maioridade apenas para crimes hediondos, mantendo 18 anos para os demais delitos. A iniciativa, porém, não unificou o partido nem o bloco governista: senadores mais tradicionais do PT resistem à alteração.
A inclusão de qualquer mudança sobre a maioridade penal traz efeito prático imediato: um texto emendado teria de retornar à Câmara, obrigando nova tramitação e, por consequência, o adiamento da conclusão antes do pleito. Politicamente, a alteração potencializaria o capital político do campo adversário — identificável com a agenda de Flávio Bolsonaro — e complicaria a narrativa do governo, que vinha tentando transformar a aprovação da PEC em resposta à preocupação do eleitor com segurança. Pesquisa Datafolha divulgada em 17 de outubro mostra que cerca de oito em cada dez brasileiros apoiam reduzir a maioridade para 16 anos, dado que explica a pressão sobre senadores na reta final.
O recuo do calendário evidencia cautela institucional e custo político. Para o Planalto, a postergação tira do radar imediato uma potencial vitória de campanha; para a oposição, abre espaço para esvaziar ou reagendar a disputa pelo tema. Resta agora aos líderes e ao governo decidir se manterão a tentativa de aprovar o texto sem a emenda polêmica ou se aceitarão o debate pós‑eleições, cientes de que o tema continuará a acender o debate público e a pesar nas estratégias eleitorais.