Uma articulação de organizações da sociedade civil lançou a campanha #VotePeloCerrado, que convoca candidatos a prometer publicamente compromisso com a proteção do bioma nas eleições. A iniciativa, liderada por redes como a Rede Cerrado e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, disponibiliza uma carta-compromisso no site votepelocerrado.org.br que formaliza quais postulantes aceitam oito propostas centrais.
O documento ressalta motivos técnicos e eleitorais: o Cerrado é fonte das nascentes que alimentam oito das 12 principais bacias do país, sofreu a perda de mais de metade de sua vegetação nativa e registra redução média de 27% na vazão de rios. Para as organizações, esses números traduzem impacto direto no abastecimento urbano, na agricultura e na segurança hídrica — temas de forte apelo aos eleitores e de consequência política mensurável.
Líderes do movimento destacam que a agenda exige políticas de longo prazo. Entre as medidas defendidas estão reconhecimento do Cerrado como patrimônio nacional, proteção das águas como direito fundamental, combate à grilagem, fortalecimento da agricultura familiar e promoção da agroecologia, além de garantir direitos territoriais e consulta prévia a povos tradicionais. A aposta é transformar compromissos públicos em instrumentos de prestação de contas.
O lançamento ocorre em um contexto político sensível: representantes do Observatório do Clima advertiram para retrocessos legislativos e para a presença de posições negacionistas sobre clima entre alguns candidatos, o que amplia o desafio de obter compromissos reais. Para lideranças de povos tradicionais, a escolha dos parlamentares será determinante para regularização fundiária e manutenção de unidades de conservação; a omissão, dizem, favorece interesses privados e pressões por rever áreas protegidas.
Do ponto de vista eleitoral, a campanha busca transformar propostas técnicas em critérios de avaliação para o eleitorado e em moeda política para cobrar gestores eleitos. A iniciativa coloca no centro das urnas uma questão com efeitos econômicos e sociais claros: proteger o Cerrado não é pauta regional, é demanda por gestão pública responsável que impacta água, produção e clima — e, consequentemente, a conta política dos candidatos que optarem pela inação.