O uso de tecnologia para registrar votos não é exclusividade do Brasil: pelo menos 20 países já adotaram ou experimentaram algum tipo de votação eletrônica. Ainda assim, o Brasil se destaca por empregar massivamente urnas eletrônicas em eleições nacionais, incluindo a votação que escolherá presidente, governadores e parlamentares em outubro.
A experiência internacional é heterogênea. Índia e Estados Unidos utilizam urnas digitais em partes do território, enquanto países europeus como Bélgica e França fizeram testes em escala limitada. Em outros casos, como a Noruega, a experiência com votação pela internet foi revertida por temores de exposição do voto; a Alemanha, por sua vez, manteve o sistema manual após o Tribunal Constitucional analisar a falta de confiança pública em soluções eletrônicas testadas.
No Brasil, a urna eletrônica foi desenvolvida localmente e é produzida em duas fábricas — em Ilhéus (BA) e Manaus (AM). Componentes como chips são importados, mas a fiscalização, a programação e os testes finais ocorrem sob comando do Tribunal Superior Eleitoral. A adoção, iniciada na década de 1990, teve origem em tentativas de reduzir fraudes associadas ao voto em papel.
O contraste entre a abrangência brasileira e as dúvidas registradas em outros países alimenta o debate nacional. Autoridades defendem que cada sistema reflete contextos e escolhas institucionais; críticos apontam para a necessidade de transparência, auditorias independentes e respostas claras sobre segurança e verificabilidade. Politicamente, a questão segue sensível: a confiança no mecanismo é tão relevante quanto sua eficiência operacional.