No primeiro turno de 2022 mais de 5 milhões de eleitores — pouco menos de 5% dos que compareceram — votaram em branco ou anularam o voto, índice apontado pelo TSE como o menor desde 2014. Pesquisas preparatórias para 2026, porém, sinalizam alta desse fenômeno nas sondagens, com estimativas que aproximam o grupo de cerca de 8%. O movimento volta a chamar atenção pelo impacto que tem sobre a aritmética eleitoral.

Tecnicamente, voto em branco e voto nulo funcionam de forma distinta na urna eletrônica: branco é opção direta, nulo decorre da digitação de número que não corresponde a candidato. Na prática eleitoral brasileira ambos têm o mesmo resultado jurídico: não passam a integrar os votos válidos — a fração que efetivamente decide quem vence. Já a abstenção é ausência ao voto e não figura como registro na seção.

O efeito decisivo é indireto. Como só os votos válidos compõem a base para calcular maioria, mais brancos e nulos significam menos votos válidos em circulação. Num pleito competitivo, isso reduz o total necessário para ultrapassar a metade dos votos e pode levar um candidato à vitória no primeiro turno sem crescimento absoluto de sua votação. É uma alteração da base, não uma transferência direta de votos.

Especialistas consultados destacam que não é possível afirmar, sem pesquisas individuais de preferência, qual candidato seria beneficiado por um aumento desses votos: seria preciso saber para quem votariam os eleitores que optam por anular ou abandonar o voto. Ainda assim, em um cenário de disputa apertada, a tendência reforça a necessidade de ajustes nas estratégias de campanha e acende um sinal sobre a fragilidade de mandatos baseados em margens reduzidas — consequência política concreta do aumento de brancos e nulos.