O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira que se afastará da liderança do governo no Senado, decisão tomada após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Em publicação nas redes, Wagner afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo e que, a partir de agora, concentrará esforços em sua defesa e no apoio à reeleição do presidente.
A saída ocorre dias depois de Wagner ter sido alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes envolvendo o banco Master. A PF apreendeu no apartamento do senador US$ 49 mil, cerca de R$ 250 mil em espécie e relógios de luxo. As diligências apuram, entre outras suspeitas, benefícios de alto valor — como um apartamento estimado em R$ 2,4 milhões, voos em aeronaves privadas, ingressos para shows no exterior e pagamentos de R$ 3,5 milhões a empresas ligadas ao seu núcleo familiar — em suposta contrapartida por atuação em favor do dono do banco, Daniel Vorcaro.
Wagner tem negado irregularidades. Ele afirmou que parte do dinheiro encontrado em seu cofre corresponde a diárias pagas pelo Senado — cerca de R$ 70 mil recebidos desde 2019, segundo sua versão — e que pediu ajuda ao empresário Augusto Lima para a aquisição do apartamento, que seria destinado à filha, com previsão de recompra posterior. A defesa do senador também protocolou no Supremo Tribunal Federal pedido de anulação da operação policial.
Fontes oficiais e parlamentares indicam que a decisão foi motivada por pressão de aliados do Planalto e pela necessidade de preservar a imagem do governo diante do caso Master. Embora Lula tenha reiterado publicamente nos últimos meses que todos os envolvidos deveriam ser investigados, o episódio expõe o dilema do Executivo: conciliar solidariedade a um aliado histórico e a necessidade de manter distância de um escândalo com potencial impacto político.
O episódio deve repercutir internamente: antes da reunião com o presidente, Wagner buscava apoio no Senado — inclusive do ex-presidente da Casa Davi Alcolumbre — para permanecer na liderança e atuar como ponte entre o governo e o Congresso. Agora, além da batalha jurídica, o senador terá de lidar com o custo político imediato da investigação e com a pressão para resguardar a campanha do governo rumo a 2026.