A permanência de Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado parece ter chegado ao limite. Depois de resistir a cobranças internas, o senador deve comunicar nos próximos dias ao partido e ao presidente que deixará o cargo para concentrar-se na defesa no inquérito da Operação Compliance Zero. A saída é vista por aliados como a alternativa menos danosa para o governo e para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No Planalto, a avaliação é que manter Wagner no posto transformou uma investigação individual em um problema político para a administração. Interlocutores presidenciais dizem que Lula acompanhou os desdobramentos e foi informado do convencimento do senador sobre a necessidade de afastamento. Fontes palacianas afirmam que a divulgação de imagens pela Polícia Federal e as suspeitas envolvendo um apartamento de alto padrão em Salvador ampliaram o desgaste e surpreenderam auxiliares que inicialmente subestimaram o impacto.
A entrevista dada por Wagner poucas horas após a ação da PF foi criticada internamente por ampliar a repercussão, segundo auxiliares. O senador sustenta que os recursos apreendidos vêm de diárias de missões oficiais e nega irregularidade em relação ao imóvel apontado na investigação. Ainda assim, dirigentes do PT e lideranças da Bahia, preocupados com a continuidade da aliança histórica com Lula, pressionaram para que ele deixasse a articulação no Senado.
Nos corredores do Congresso já começou a disputa pela sucessão. Há governistas que defendem um nome técnico e outros que preferem alguém politicamente próximo ao presidente. A escolha será um teste para a capacidade de reação do núcleo político do governo: além de conter o custo imediato do caso, terá impacto direto na capacidade de aprovar a agenda legislativa no segundo semestre e na estabilidade da estratégia política rumo a 2026.