O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira que pretende demonstrar sua inocência diante das investigações da Polícia Federal que apuram suposto favorecimento ao extinto Banco Master. Em entrevista à rádio local, ele evitou entrar no mérito das acusações por orientação de sua defesa, mas disse confiar que o inquérito esclarecerá os fatos.

Os autos, tornados públicos pelo relator no Supremo, ministro André Mendonça, apontam indícios de aproximação de Wagner com Augusto Ferreira Lima, o 'Guga', e interlocução com o ex-controlador Daniel Vorcaro. A Polícia Federal cita trocas de contato, viagens em conjunto e inclusão do nome do senador em uma lista ligada a presentes de alto valor — elementos que os investigadores entendem como indícios a serem apurados.

Politicamente, o caso acende alerta para a campanha do próprio Wagner e amplia desgaste para o PT na Bahia: o senador deixou a liderança do governo no Senado durante o avanço das apurações para não transferir ônus ao Executivo, mas diz manter o respaldo público do presidente Lula — que participou de atos na Bahia e fez manifestações de apoio. A continuidade da pré-candidatura e a receptividade em eventos locais são sinais de resistência, mas não eliminam o risco de impacto eleitoral.

A defesa afirma que as evidências serão refutadas ao longo do processo e que Wagner buscará demonstrar inocência. Para além do desfecho jurídico, a apuração já impõe dilemas políticos sobre agenda eleitoral, imagem pública e custo para aliados caso as suspeitas persistam. O caso segue em investigação, com potencial de movimentar correntes internas e reconfigurar o tabuleiro eleitoral baiano.