O senador Jaques Wagner (PT-BA) atuou nesta quarta-feira como articulador da base governista, telefonando para lideranças com o objetivo de aumentar a presença de senadores no plenário para a votação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A movimentação ocorre num momento de esforço concentrado do Palácio do Planalto para acelerar a tramitação da matéria.
A ofensiva de Wagner surge depois do requerimento de calendário especial apresentado pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), à Mesa Diretora. O documento reúne apoio de nove partidos e três blocos, totalizando 56 senadores — número que, segundo aliados, valida o pedido e demonstra movimento organizado em torno da redução da jornada de trabalho.
Além de buscar os votos necessários, a articulação tem alvo claro: garantir quórum presencial suficiente para a aprovação de uma PEC, que exige maioria qualificada. Nesse sentido, a mobilização acende alerta para o governo sobre a vulnerabilidade logística do processo legislativo — ausências pontuais poderiam forçar adiamentos, mudanças de estratégia ou maior desgaste político na hora da votação.
Politicamente, a iniciativa mostra tanto coesão quanto fragilidade da base: a procura por um ex-líder do governo evidencia a prioridade da pauta para o Executivo, mas também expõe risco de contratempos se o comparecimento não se concretizar. Para o Planalto, a cena é um teste prático da capacidade de manter a unidade e assegurar presença em plenário num tema sensível e de alta exigência procedimental.