O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (BA), reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Alvorada na noite de quarta (29). O encontro ocorreu após o Plenário do Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal por 42 votos a 34.
A derrota representa um revés claro ao Planalto. A reprovação interrompeu uma tradição de mais de 130 anos sem recusas a nomes indicados ao STF e tem efeito simbólico e prático: expõe falhas na articulação política e na avaliação prévia do apoio parlamentar a um indicado considerado próximo ao governo.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, também esteve com Lula nesta quarta e participou da reunião, depois de afirmar acreditar na vitória do nome indicado. A presença de Wagner e Guimarães ilustra a tentativa do governo de conter o dano e buscar rapidamente alternativas para não agravar a tensão com o Congresso.
Na avaliação política, a rejeição impõe ao Planalto a necessidade de recalibrar critério e estratégia ao escolher um novo nome, sob risco de aumentar o desgaste e de reduzir capital político em votações futuras. A derrota acende um sinal de alerta sobre a capacidade do governo de mobilizar apoio em questões sensíveis ao Judiciário.