A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta terça-feira, mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, fase que apura indícios de lavagem de dinheiro relacionados a descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. Ao todo foram 18 mandados, determinados pelo Supremo Tribunal Federal, executados no Distrito Federal e no Maranhão.
Entre os alvos está o advogado Willer Tomaz, proprietário do escritório Advogados Associados e figura conhecida pelo trânsito junto a políticos da capital. Tomaz tem vínculo próximo com o senador Flávio Bolsonaro — a quem, segundo relatos, costuma acompanhar em agendas e viagens privadas — e também mantém relação política com o senador Weverton Rocha, igualmente citado nas apurações.
O caso remete a um histórico já marcado por controvérsias: Tomaz foi preso preventivamente em 2017 em desdobramentos da Operação Greenfield, mas a denúncia contra ele acabou rejeitada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região por insuficiência de provas. Nesta investigação atual, a PF aponta indícios de movimentações financeiras e patrimoniais atípicas, uso de contas de terceiros, estruturas empresariais e operações em espécie supostamente destinadas a ocultar origem e destino de recursos.
A presença de um advogado com relevante influência política entre os alvos amplia os riscos reputacionais para parlamentares citados e tende a trazer repercussão política imediata, independentemente de desfechos penais. A fase de busca e apreensão tem como objetivo colher elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas; o caso segue em investigação, com potencial para gerar desdobramentos judiciais e efeitos no tabuleiro político.