Em encontro realizado na quarta-feira (1º/7) com lideranças femininas do partido, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) reconheceu que a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher é uma perda para a bancada feminina do partido, mas procurou relativizar a dimensão do episódio, evitando classificar o caso como uma crise que abale toda a direita.
Zanatta justificou a decisão de Michelle como uma opção por priorizar questões familiares diante do desgaste pessoal, e afirmou compreensão pelo afastamento. O episódio ganhou intensidade na semana anterior, quando Michelle publicou vídeo com críticas que tocaram diretamente no comportamento do pré-candidato Flávio Bolsonaro, e, em seguida, se reuniu com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para comunicar a saída da liderança.
Apesar de relatos de aliados sobre a possibilidade de Michelle renunciar também à intenção de disputar o Senado pelo Distrito Federal, Zanatta manifestou confiança de que ela seguirá como candidata, alegando que o partido precisa de sua força na Casa Alta. A declaração traduz a tentativa interna de conter as consequências eleitorais do episódio e preservar apoio feminino à legenda.
No encontro, a deputada procurou se desvincular de declarações polêmicas de aliados — como a fala do bolsonarista Paulo Figueiredo sobre o comportamento eleitoral das mulheres — e disse que Flávio Bolsonaro repudiou o comentário. Politicamente, a saída de Michelle representa um desgaste mensurável: enfraquece a frente feminina do PL, acende alerta sobre a imagem do partido entre eleitoras e aumenta a necessidade de gestão de crise e de clareza estratégica rumo a 2026.