O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin autorizou, em decisão de 29 de maio, a Polícia Federal a investigar formalmente o ministro do Superior Tribunal de Justiça Moura Ribeiro no âmbito da Operação Sisamnes. É a primeira vez desde a deflagração da operação, em novembro de 2024, que um integrante do STJ figura como alvo direto. A decisão do STF recebeu da investigação da PF o pedido de apuração sobre suspeitas de um esquema que teria comercializado decisões judiciais, e Zanin considerou razoável e proporcional aprofundar a investigação para checar possível envolvimento de assessores ou do próprio magistrado.

Entre as medidas autorizadas está a quebra dos sigilos bancário e fiscal de servidores do gabinete, parentes e pessoas próximas ao ministro, além do mapeamento do fluxo financeiro de empresas e pessoas físicas relacionadas a processos em que Moura Ribeiro teria decidido em favor de Mirian Gonçalves. O presidente do STJ, Herman Benjamin, foi acionado para enviar todas as apurações administrativas instauradas contra assessores do gabinete no período entre 2019 e 2026. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República já denunciou, em maio, nove pessoas envolvidas no esquema e rastreou repasses, incluindo R$ 4 milhões de uma empresa ligada ao lobista Andreson Gonçalves para uma firma ligada à esposa de um servidor do tribunal, entre 2021 e 2023.

O foco da apuração no gabinete recai também sobre um ex-funcionário que atuou como assistente de Plenário entre janeiro e junho de 2019, exonerado na ocasião por atuação considerada irregular. Segundo a investigação, o mecanismo teria consistido na antecipação de minutas de decisões a lobistas e agentes do agronegócio, com o uso dessas informações para influenciar interessados e exigir pagamentos, tendo Andreson apontado como elo central e servidores que acessavam sistemas internos como facilitadores das trocas de informação.

Do ponto de vista institucional, a autorização de Zanin acende alerta sobre a fragilidade reputacional do STJ e amplia desgaste sobre sua cúpula, que agora terá de demonstrar rapidez e transparência na apuração interna. A medida também reforça a necessidade de controles mais rigorosos sobre acessos e movimentações no sistema judicial e tende a aumentar a pressão sobre órgãos de controle — da PGR ao próprio tribunal — por respostas factuais. A investigação da PF e o encaminhamento das apurações administrativas serão determinantes para avaliar se os indícios configuram responsabilidade direta do ministro ou de terceiros, mas o episódio já impõe custo político e risco de erosão de confiança na Corte.