O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin decidiu, em 24 de abril, rejeitar o pedido da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para que o deputado Douglas Ruas (PL) assumisse o governo do estado. Com a medida, o desembargador Ricardo Couto permanece no exercício do cargo, mantendo o entendimento adotado pelo plenário do STF em decisão anterior.
A Alerj havia eleito Ruas para a presidência da Casa em 17 de abril e, seis dias depois, solicitou a transferência imediata do comando do Executivo. Zanin argumentou que o resultado de eleição interna pode ter efeitos apenas no âmbito da própria Assembleia e não tem força para alterar ato do plenário do STF. O ministro também registrou que a legalidade da eleição da Mesa ainda está sujeita a questionamento no tribunal.
A decisão preserva, por ora, a solução judicial para a dupla vacância que se abriu após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro em 23 de março. Mas mantém o estado em impasse: o Executivo segue sem uma transição interna clara e a Alerj vê sua capacidade de convencimento institucional reduzida enquanto o tema tramita no Judiciário.
Politicamente, o veredicto acende alerta para a Assembleia e para Ruas: além de adiar a assunção, expõe a fragilidade de uma solução que depende de tribunais. Para o governo do estado, a continuidade do desembargador à frente do Executivo traz previsibilidade imediata, mas não encerra a disputa política e jurídica que pode reemergir em outras instâncias.