O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, reforçou ontem a determinação de que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, permaneça no exercício do cargo de governador interino até o deslinde no Supremo sobre as eleições estaduais. Na prática, Zanin afastou a tentativa da Mesa da Alerj — que elegeu Douglas Ruas presidente da Casa em 17 de abril — de transferir a chefia do Executivo ao terceiro na linha sucessória.

A decisão atende ao pedido do PSD, que questionou no STF a manobra da Assembleia. Zanin argumentou que a eleição interna da Alerj, ainda sub judice, “não tem o condão” de alterar a deliberação anterior do Plenário de 9 de abril, que determinou a manutenção do presidente do TJ-RJ no comando do estado. O despacho reduz, por ora, a possibilidade de Ruas assumir e usar a máquina pública em benefício de sua campanha.

O quadro técnico-jurídico segue aberto: o ministro Flávio Dino pediu vistas do processo que discute o formato da sucessão — o placar interno aponta majoritariamente para eleição indireta e secreta — e tem até 90 dias para apreciar o acórdão do TSE que declarou Cláudio Castro inelegível até 2030. A postergação do debate no STF tende a trazer as definições para mais perto do calendário eleitoral, o que aumenta a imprevisibilidade política.

Politicamente, a decisão acende alerta para o grupo de Castro: além de assegurar que o rival não terá imediatamente a vantagem institucional do cargo, a medida expõe o custo da estratégia adotada após a renúncia do ex-governador. Se o processo se arrastar, a corrida ao Palácio Guanabara pode ser decidida em terreno mais nivelado, com menos espaço para beneficiários da máquina estadual.