O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e prorrogou em 60 dias as diligências sobre a investigação que apura um esquema de venda de sentenças envolvendo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O magistrado também decidiu pela retirada do sigilo do despacho nesta quinta-feira (28/5).
A denúncia apresentada pelo procurador‑geral Paulo Gonet aponta nove investigados por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. Entre os citados estão Márcio Toledo Pinto e Daimler Alberto de Campos, ex‑assessores de ministras do STJ, e Anderson de Oliveira Gonçalves, apontado na peça como suposto comandante do esquema.
Segundo a investigação, o grupo teria atuado entre 2019 e 2023, usando servidores ligados a gabinetes do tribunal para obter acesso antecipado a decisões e até inserir decisões falsas no sistema em troca de propina. Até o momento, nenhum ministro do STJ foi investigado. A PGR justificou a necessidade de continuidade das apurações diante do caráter parcial do relatório policial apresentado.
Na prática, a prorrogação dá mais tempo à PGR para aprofundar provas e à defesa para se manifestar antes que a ação vá à análise da Primeira Turma do STF. Politicamente, o caso acende alerta sobre a integridade dos procedimentos no STJ e amplia o desgaste institucional: mesmo sem ministros implicados até agora, a investigação complica a narrativa de normalidade e exige respostas concretas sobre controles internos e responsabilização.