O ministro Cristiano Zanin encaminhou nesta quinta-feira (11/9) um ofício ao presidente do Supremo, Luiz Edson Fachin, reiterando o pedido para que a mídia integral extraída do celular apreendido no caso Daniel Vorcaro seja enviada a todos os gabinetes antes do julgamento da Petição 15.556, marcado para 15 de setembro. Zanin rebateu a informação do relator, André Mendonça, de que o aparelho não estaria à disposição e que a Polícia Federal teria entregue apenas uma cópia de segurança lacrada.
No documento, o ministro sustenta que a cópia entregue pela PF não afasta a necessidade de acesso ao material original, já que a preservação da cadeia de custódia e a análise direta da mídia são elementos essenciais para que cada julgador forme sua convicção. Zanin lembra que a defesa recebeu uma cópia dos dados e que a ausência do mesmo acesso aos demais ministros criaria uma “evidente incongruência” na avaliação do processo.
O pedido faz referência específica à Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) nº 3298613/2026 e ao Laudo nº 4281/2025, que embasaram a Petição 15.556. Zanin solicita o encaminhamento de um HD com a mídia integral — relativa ao iPhone 17 Pro identificado no Termo de Apreensão nº 4473731/2025 — ou, alternativamente, que a própria Polícia Federal disponibilize cópias a cada gabinete, como ocorreu no gabinete do relator.
Além da disputa técnica sobre prova e cadeia de custódia, a troca entre ministros expõe uma tensão institucional: garantir que todos os integrantes do colegiado tenham as mesmas condições de análise é argumento de peso em julgamentos sensíveis. A controvérsia pressiona a corte a definir parâmetros claros sobre manuseio de mídias apreendidas em procedimentos que chegam ao plenário.