O mandado de segurança apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para obrigar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master foi distribuído ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Vieira divulgou a movimentação nas redes sociais e sustenta que o requerimento já conta com 41 assinaturas, número que, segundo o senador, atende ao requisito para abertura da CPI. A ação questiona a demora — de cerca de seis meses — para que a Mesa do Senado dê prosseguimento ao pedido, sob responsabilidade do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

No pedido ao STF, o parlamentar invoca precedente que reconhece o direito da minoria parlamentar à instalação de CPIs quando preenchidos os requisitos constitucionais; por isso, Vieira manifestou expectativa de concessão de liminar para viabilizar a comissão de imediato. A medida judicial insere nova pressão sobre a direção do Senado ao transformar um impasse interno em controvérsia submetida à Corte, com potencial de desgaste político para a Mesa e para o próprio Congresso.

A CPI pretendida tem como foco as relações do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com ministros do Supremo. Investigações da Polícia Federal e documentos juntados ao inquérito, incluindo mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, passaram a compor o cenário que culminou em discussão no plenário do STF, convocado pelo presidente da Corte, Edson Fachin. No julgamento, Dias Toffoli alegou suspeição por motivo de foro íntimo e Nunes Marques registrou impedimento para participar da análise, fatos que reforçam a complexidade institucional do caso.

Além desse mandado, outra ação sobre a instalação da CPI tramita no STF sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques; em junho, o presidente do tribunal rejeitou pedido de suspeição contra o próprio Nunes Marques relacionado ao processo. A judicialização da disputa sobre a abertura da comissão indica que, se a Corte conceder a liminar, a Mesa do Senado terá de enfrentar a decisão do Judiciário sobre prerrogativas regimentais do Parlamento, ampliando o debate sobre separação entre poderes e sobre os custos políticos de postergar apurações com potencial impacto no STF e no Congresso.