O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) anunciou que vai recorrer da decisão do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro André Mendonça, que negou seguir com a ação que pedia a anulação do reajuste de 15% no Bolsa Família. O aumento, anunciado pelo presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 17 de setembro, passou a ser alvo de contestação por parte da oposição justamente pela proximidade com o primeiro turno.

Mendonça justificou o indeferimento por entender que o parlamentar não teria legitimidade para impugnar medidas anunciadas no âmbito da campanha presidencial, uma linha que separa matéria de mérito eleitoral da admissibilidade processual. Zé Trovão respondeu publicamente que aceitará a via processual prevista e apresentou a intenção de interpor agravo contra a decisão do ministro, para forçar a análise dos argumentos sobre a tempestividade e eventual uso eleitoral do programa social.

Na ação, o deputado sustenta que o anúncio ocorreu em plena campanha — 17 dias antes do primeiro turno — e que programas sociais não podem ser usados como instrumento de influência eleitoral. Do outro lado, o governo defende a medida como recomposição inflacionária: ao assinar o decreto, Lula afirmou que o reajuste visa proteger o poder de compra das famílias. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, estimou impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027.

A disputa no TSE, por ora, é de admissibilidade, mas tem efeito político imediato. A negativa de Mendonça reduz espaço para uma vitória rápida da oposição na corte, obrigando-a a buscar recursos que podem demorar e manter a controvérsia viva na campanha. Para o Planalto, o argumento fiscal e a justificativa social tentam neutralizar a acusação de uso eleitoral; para adversários, o episódio acende alerta sobre o calendário e amplia desgaste político num momento sensível da corrida presidencial.