Romeu Zema abriu formalmente sua campanha à Presidência neste domingo, 16 de agosto, com uma peça digital em que utiliza recursos de inteligência artificial para enviar um recado implícito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação, feita nas redes sociais no primeiro dia do período oficial de propaganda eleitoral segundo o calendário do TSE, mostra o governador de Minas Gerais construindo e lançando um avião de papel que percorre vários estados até Brasília.
No clímax da peça, o avião entra numa sala onde está um personagem com barba e chapéu — representação que remete ao presidente, embora Lula não apareça diretamente. Ao abrir o papel, o personagem encontra os nomes de Zema e do vice na chapa, Eduardo Girão, além do número da candidatura. A reação do personagem, que amassa o papel, antecede a mensagem final: “Lugar de intocável é na cadeia. Tô chegando… Zema”. O post identifica o conteúdo como gerado por IA.
A escolha do formato e do enredo tem dupla função: ganhar visibilidade com um recurso tecnológico e estabelecer desde a largada Lula como o principal adversário na narrativa do Novo. É uma estratégia comunicacional transparente na sua intenção de confronto, que busca mobilizar eleitores contrários ao atual governo e diferenciar a campanha de Zema pelo tom provocador.
Ao mesmo tempo, o uso explícito de inteligência artificial eleva questões políticas e institucionais relevantes. A peça tende a alimentar o debate sobre limites éticos e regulatórios do uso de IA na propaganda eleitoral e sobre a linha entre sátira e imputação de crime a uma figura pública. Sem apontar ilegalidade, o material expõe a disputa por agenda e por atenção em um ambiente de alta polarização.
Na prática, a operação sinaliza que o Novo aposta em comunicação digital agressiva para ganhar espaço no cenário presidencial. Para Zema, a estratégia pode render exposição rápida, mas também atrair críticas que exigirão resposta da coordenação de campanha. Em um jogo eleitoral que começa a se desenhar, a peça assume o objetivo de marcar território: transformar o presidente em alvo central da estratégia oposicionista.