O candidato à Presidência Romeu Zema reagiu com veemência à decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que determina a suspensão, em até três dias úteis, da função de transmissões ao vivo (Go Live) do Discord no Brasil. Em vídeo divulgado à imprensa, Zema qualificou a medida como “censura” e atribuiu pressão pela intervenção à primeira-dama, citando pedido público feito por Janja Lula da Silva após o caso de indução ao suicídio envolvendo uma adolescente de 13 anos. Ao mesmo tempo em que se solidarizou com a família da vítima, o ex-governador de Minas Gerais defendeu que o caminho mais eficaz é o endurecimento das leis e punição aos responsáveis, em vez de proibições amplas a plataformas.
A ANPD, diz o comunicado que motivou a medida, identificou falhas da plataforma na prevenção de situações como violência, assédio, automutilação e suicídio, e condicionou a retomada do recurso à comprovação de medidas técnicas e políticas de proteção a crianças e adolescentes. Importante frisar: a plataforma não foi retirada do ar; a suspensão recai sobre a função de transmissões ao vivo até que o Discord demonstre conformidade. O episódio coloca em debate a fronteira entre responsabilidade das empresas digitais e atuação do Estado na proteção de menores.
Por pressão da Janja, o Discord é censurado
Politicamente, a reação de Zema cumpre dupla função: posicionar-se como defensor da liberdade de expressão e explorar o tema como desgaste à gestão federal, ao mesmo tempo em que reforça a agenda de segurança — incluindo sua proposta de classificar facções criminosas como organizações terroristas e expulsar o crime organizado de favelas. A crítica ao que chamou de “censura” permite ao candidato tentar capitalizar entre eleitores preocupados com intervenção estatal nas plataformas, mas também o obriga a explicar como pretende conciliar defesa das liberdades com proteção de crianças e coerência jurídica.
Para o governo, a decisão da ANPD e a repercussão parlamentar e pública aumentam a pressão política: há risco de polarização sobre medidas de regulação digital e cobrança por soluções técnicas e legislativas mais claras. No campo eleitoral, o episódio amplia o debate sobre segurança, responsabilidade civil das empresas e atuação das autoridades — temas que vão repercutir na corrida para 2026. Cabe aos atores públicos traduzir a reação imediata em respostas objetivas, evitando que a disputa retórica sobre “censura” obscureça a necessidade de medidas efetivas de proteção e responsabilização.