Romeu Zema usou as redes sociais nesta segunda-feira para fazer um agradecimento em tom irônico à ex-presidente Dilma Rousseff, ao marcar o décimo aniversário do processo que resultou em seu afastamento. No vídeo e na mensagem publicados, o candidato do Novo atribuiu à recessão que atingiu o país em 2015 e 2016 um papel decisivo em sua decisão de migrar da iniciativa privada para a vida pública.
Zema disse que o episódio foi o ponto de virada de sua trajetória: o quadro econômico obrigou reduções significativas na sua empresa, segundo ele, e tornou insustentável a postura de atuar apenas no setor privado. Em sua narrativa, o desgaste foi ampliado por uma burocracia estatal que, na visão do empresário, dificulta quem quer produzir e gerar empregos.
A menção também chegou acompanhada do contexto político: o impeachment de Dilma, ocorrido em agosto de 2016 e fundamentado na acusação das chamadas 'pedaladas fiscais', é lembrado por Zema como catalisador de uma experiência pessoal que o teria levado à candidatura lançada pelo Novo. Ele busca, assim, transformar um episódio econômico e institucional em peça central de sua biografia política.
Politicamente, a declaração reforça a aposta do candidato em um discurso que combina crítica à gestão econômica petista e defesa do empreendedorismo como resposta. Ao mesmo tempo, a ironia pública em torno do impeachment pode ter efeito dupla face: mobilizar eleitores contrários ao PT e consolidar sua identidade partidária, mas também polarizar o debate e limitar apelos a eleitorados mais moderados. Trata-se de um recado calculado, que reitera a estratégia narrativa do postulante sem, porém, alterar o juízo histórico sobre responsabilidades políticas pela crise.