A pesquisa Genial/Quaest divulgada em 6 de maio confirma um desafio estratégico para Romeu Zema (Novo): fora de Minas Gerais, a maior parte do eleitorado ainda não o conhece. O levantamento, realizado entre 21 e 28 de abril com 11.646 entrevistas em dez estados, aponta índices elevados de desconhecimento em várias unidades federativas — 75% no Pará, 74% em Pernambuco e Ceará, 72% na Bahia, e entre 56% e 64% em estados como São Paulo (56%), Goiás (56%), Rio de Janeiro (60%), Paraná (61%) e Rio Grande do Sul (64%).

Mesmo no seu estado de origem o cenário é misto. Em Minas, apenas 9% dizem não conhecê‑lo, mas entre os que afirmam conhecê‑lo a preferência é dividida: 38% declaram que votariam em Zema e 53% dizem que não o escolheriam. No primeiro turno estadual, a Quaest registra Zema com 11% das intenções, atrás de Lula (33%) e Flávio Bolsonaro (27%). Em simulação de segundo turno, Zema aparece numericamente competitivo contra Lula em Minas (38% a 37%), configuração que, na prática, se mantém em empate técnico diante da margem de erro e do alto número de indecisos (25%).

Os números expõem uma contradição política: haveria apelo regional suficiente para colocá‑lo na disputa, mas não estrutura de lembrança ou aceitação nacional. Em vários estados, a rejeição entre os que dizem conhecê‑lo supera a intenção de voto — exemplos: 29% em Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro declaram conhecê‑lo, mas não votariam; no Paraná e na Bahia esse índice chega a 23%. A comparação com o caso de Ronaldo Caiado em Goiás é ilustrativa: lá, Caiado lidera com 31% enquanto Zema marca apenas 2%, o que sugere que o fenômeno de liderança regional não se reproduz automaticamente fora da base política de origem.

Do ponto de vista prático, os dados acendem um alerta para a estratégia do Novo e do próprio pré-candidato: nacionalizar nome exige investimento em comunicação, agenda e alianças; sem lembrança e com rejeição superior à intenção entre os que o conhecem, o projeto corre o risco de permanecer regional e de enfrentar dificuldades de captação, exposição midiática e formação de apoios. A pesquisa não prevê desfecho eleitoral, mas complica a narrativa de um pré-candidato pronto para disputar em nível nacional e impõe pressão por ajustes táticos na pré-campanha.