Em entrevista ao programa CB.Poder, Romeu Zema (Novo) intensificou críticas ao Supremo Tribunal Federal e defendeu que ministros da Corte não fiquem fora do alcance de investigações. O presidenciável afirmou que pretende atuar, caso eleito, para garantir apurações contra integrantes do tribunal quando houver suspeitas, afirmando ser necessário que ninguém seja considerado intocável.

Zema citou nominalmente nomes associados a litígios recentes no Judiciário e disse que investigações devem ser 'criteriosas e justas', citando que eventuais envolvimentos do ministro Alexandre de Moraes e de André Mendonça precisam ser esclarecidos. Ao tratar do caso do Banco Master, mencionou a relação com o empresário Daniel Vorcaro e afirmou que todas as autoridades que mantiveram vínculos com o ex-banqueiro devem prestar esclarecimentos.

Do ponto de vista político, a postura funciona como sinal claro para o eleitorado conservador e anti-PT, ao mesmo tempo em que reafirma sua disposição de integrar a frente contra o partido nas eleições de 2026 — Zema disse que apoiaria qualquer candidato em um eventual segundo turno contra o PT. A retórica, entretanto, também acende alerta: ao fazer do combate à Corte um pilar de campanha, o candidato aumenta a tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário e amplia desgaste institucional em um momento em que o equilíbrio entre poderes é observado por mercados e aliados.

Há consequências práticas a considerar. Investigações de membros do Supremo, quando requeridas por forças políticas, podem provocar reação judicial e resposta legislativa, além de alimentar narrativas de instrumentalização da Justiça. A exigência de apurações 'sem intocáveis' precisa conciliar-se com garantias de devido processo; caso contrário, corre-se o risco de transformar procedimentos legítimos em ferramentas eleitorais, o que comprometeria a confiança em instituições centrais para a estabilidade política e econômica.

No jogo eleitoral, a mensagem reforça o posicionamento anti-establishment do candidato do Novo e tenta capitalizar frustrações com o Judiciário entre setores conservadores. Resta ver se essa estratégia amplia seu espaço entre eleitores moderados ou se afasta parte do centro. Para 2026, a demanda por investigação de ministros não é apenas uma denúncia política: é um movimento que pode redesenhar alianças, testar limites institucionais e influenciar o debate sobre responsabilidade e transparência nas altas cortes.