Em reunião-almoço da Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios, em Brasília, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), voltou a endurecer o tom contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Zema ressaltou sua trajetória no setor privado como fonte de independência política, afirmando que não mantém vínculos de dependência com grupos ou governos e que essa condição lhe permite criticar autoridades que, segundo ele, se colocam acima de escrutínio.
O pré-candidato também mencionou o processo que diz ter sido provocado pelo ministro do STF e, sem usar as mesmas palavras da acusação original, insinuou que, ao contrário dele, Mendes e aliados teriam relações com pessoas que viajaram em um jatinho ligado a investigações. A afirmação, proferida perante deputados e empresários, repete a linha de confronto que Zema tem adotado nas últimas semanas contra decisões e atuações do Judiciário, sobretudo em temas associados à liberdade de expressão e à condução de apurações.
Do outro lado, Gilmar Mendes reagiu apontando que as críticas têm atingido instituições que, na avaliação do ministro, foram essenciais para a estabilidade financeira de Minas durante a gestão de Zema. O embate público entre ex-governador e magistrado traduz uma escalada de atritos que não se limita à retórica: envolve disputas legais e repercussão política que podem ressoar até 2026, à medida que ambos tentam moldar narrativas perante diferentes públicos — eleitorado, mercado e setores do Judiciário.
A leitura política é direta: ao enfatizar independência e confrontar um ministro do STF, Zema busca se diferenciar no campo conservador-liberal e mobilizar eleitores insatisfeitos com o establishment. Por outro lado, a estratégia comporta riscos eleitorais e institucionais — pode ampliar a polarização, afastar eleitores moderados e provocar respostas jurídicas ou simbólicas que complicariam a agenda de quem se coloca como alternativa ao centro. Trata-se, portanto, de uma ofensiva calculada, com potencial para rentabilizar apoio entre aliados, mas também para elevar o custo político de sua campanha.