Romeu Zema abriu a pré-campanha em Montes Claros com objetivo explícito: transformar influência regional em visibilidade nacional. O candidato do Novo parte de uma base baixa nas pesquisas — 2% na última Quaest — e por isso aposta em eventos em praças, sabatinas e um roteiro de aparições no Sudeste, onde se concentra boa parte do eleitorado brasileiro.
A estratégia combina presença física e ocupação dos meios de comunicação: viagens pelo país, entrevistas e debates para multiplicar o contato com eleitores. Na articulação interna, o vice Eduardo Girão ficará responsável pelo trabalho de base e multiplicação local, enquanto a coordenação da campanha privilegia a exposição de Zema como empresário e gestor que reivindica ter reorganizado Minas Gerais após administrações anteriores.
No conteúdo, a campanha promete manter críticas diretas ao governo Lula sobre economia, segurança e transparência, sem transformar a disputa em ataques pessoais nem explorar confrontos com candidatos da mesma área política. Ao mesmo tempo, o plano de governo anunciado traz propostas para restringir poderes do STF — como requisitos mais rígidos para indicações e restrições a decisões monocráticas — o que sinaliza um foco em temas institucionais sensíveis.
O desafio prático é converter percepção local em programa nacional diante de uma direita fragmentada e de um tabuleiro político competitivo no Sudeste. A aposta na biografia e em atos públicos pode ampliar a exposição de Zema, mas impõe a necessidade de avanços rápidos nas pesquisas para evitar marginalização. Se a estratégia não resultar em crescimento mensurável, a campanha terá de repensar recursos e mensagem para disputar espaço entre eleitores moderados e conservadores.