Em sabatina realizada em 25 de agosto por O Globo, Valor Econômico e CBN, o pré-candidato Romeu Zema reafirmou a intenção de avançar com um programa amplo de privatizações, ao mesmo tempo em que declarou que Caixa Econômica Federal, Embrapa e o IBGE seriam exceções. A mudança de tom ocorreu em relação ao plano de governo previamente divulgado, que listava a venda de todas as estatais, sem exceções, incluindo BNDES, Banco do Brasil e Petrobras.
Zema procurou reduzir o risco político do roteiro ao defender o fatiamento de grupos estatais: transformar o Banco do Brasil em várias instituições e dividir a Petrobras por refinaria e região, com o objetivo, segundo ele, de aumentar a concorrência. Ao mesmo tempo, afirmou que os recursos provenientes das operações deveriam ser aplicados em saúde e infraestrutura. A proposta mistura objetivos fiscais claros com escolhas técnicas complexas que exigem detalhamento e calendário — lacunas que ampliam dúvidas sobre execução.
No campo tributário, o candidato afirmou ser favorável à revisão dos incentivos fiscais e propôs prazos e ‘desmame’ para benefícios como os concedidos à Zona Franca de Manaus. Defendeu também cortes de gastos, reforma administrativa e combate a fraudes em programas sociais e na Previdência como pilares para reduzir juros e viabilizar a economia. Para a categoria de motoristas de aplicativos, sugeriu mecanismos de formalização, inclusive via MEI, e eventual obrigação de contratação por parte das plataformas.
A alteração pública — preservar algumas estatais enquanto o plano original previa venda integral — expõe uma tentativa de ajustar o discurso à resistência política e social que privatizações amplas costumam gerar. A estratégia pode diminuir custo político em curto prazo, mas não elimina questões jurídicas, regulatórias e de mercado sobre como implementar fatiamentos, avaliar ativos e garantir competição efetiva. A narrativa de responsabilidade fiscal está clara; o desafio será transformar intenção em projeto técnico e costurar apoio político suficiente para levar adiante medidas com alto impacto institucional.