Romeu Zema reagiu com dureza à decisão do ex-secretário Marcelo Aro de entrar na disputa pelo governo de Minas Gerais e qualificou a movimentação como uma traição. Em vídeo publicado nesta quinta-feira, o pré-candidato à Presidência disse que acordos fechados às escondidas abrem espaço para a volta de práticas da chamada velha política que, na avaliação dele, prejudicaram o estado no passado.

Aro comandou a Casa Civil e depois a Secretaria do Governo durante o segundo mandato de Zema, e havia a expectativa de integrar a chapa ao Senado do atual governador Mateus Simões, do PSD. A filiação do senador Carlos Viana ao PSD, porém, reduziu as vagas na chapa e deixou Aro insatisfeito. Nas últimas semanas ele passou a articular com PL, Republicanos, União e seu partido, o PP, a candidatura ao Palácio da Liberdade, e anunciou publicamente o rompimento com Simões.

A decisão de Aro acentua a fragmentação do espaço conservador e pode complicar a estratégia de Simões para a reeleição, que perde um aliado que ocupou posições centrais no governo. Para Zema, o caso não é apenas uma cisão pessoal: sinaliza — segundo o próprio candidato — a retomada de práticas que exigiram anos de correção administrativa. Do ponto de vista eleitoral, a entrada de Aro no páreo tende a redistribuir apoios e aumentar a disputa pela centro-direita em Minas.

O governador Mateus Simões disse publicly estar decepcionado com o rompimento, lembrando que Aro foi abrigado no governo por quatro anos e chegou a ser seu aluno. A novela entre aliados expõe a volatilidade das costuras partidárias no estado e deixa em aberto o impacto concreto nas alianças para 2026, com efeitos imediatos sobre a montagem de chapas e a narrativa de renovação defendida por Zema.