O candidato do Novo, Romeu Zema, intensificou neste 7 de setembro a ofensiva contra ministros do Supremo Tribunal Federal durante caminhada na avenida Paulista. Em frente ao Masp, Zema criticou o ministro Flávio Dino e repetiu ataques a Alexandre de Moraes, a quem chamou de “bandido”, enquanto sua comitiva estendia uma faixa no prédio Anchieta referindo-se à série do candidato com críticas ao tribunal.

Zema afirmou confiar que a ministra Cármen Lúcia terá um voto pautado pela “consciência” e não por um suposto espírito corporativista; na prática, a ministra é tratada como o voto que pode decidir o seguimento das apurações envolvendo ministros do STF. O episódio ocorre no contexto em que há pedidos de investigação cruzados: André Mendonça pediu apuração contra Moraes, que também protocolou pedido de inquérito contra Mendonça.

O presidenciável acrescentou críticas pessoais a Moraes ao mencionar relações do ministro com o mercado financeiro e questionar a compatibilidade de negócios com a função pública. A linguagem agressiva — ao afirmar que o ministro “deveria estar preso” — marca uma escalada retórica que reforça a tensão entre parte do campo político e o Judiciário, estratégia que Zema vem perseguindo na sua comunicação.

Politicamente, a movimentação tem dupla leitura: mobiliza base contrária ao STF e coloca Cármen Lúcia sob pressão midiática, ao mesmo tempo em que amplia o risco de polarização institucional. A aposta na corte como palco da campanha indica que o desfecho do julgamento sobre os inquéritos terá efeito simbólico e prático na narrativa eleitoral, exigindo atenção sobre como ministros e atores políticos reagirão nas próximas semanas.