O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, comemorou nas redes sociais a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. Zema afirmou que o pedido que resultou na medida foi apresentado pelo próprio partido e destacou que a ação resultou no afastamento do chefe da corporação, reforçando a narrativa de que o Novo age de forma concreta em temas de responsabilização institucional.
Segundo o candidato, a solicitação do partido se baseou em um relatório de cerca de 200 páginas que mencionaria Andrei Rodrigues no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A postagem de Zema também criticou a percepção de impunidade em torno de figuras públicas, prometendo manter a cobrança sobre aquilo que classificou como privilégios e falta de responsabilização. O tom buscou contrastar postura prática do Novo com a acusação de inação de outros atores políticos.
A decisão de Mendonça teve efeitos práticos imediatos: além do afastamento de Andrei Rodrigues, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a medida, e o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa, também foi retirado do cargo. A Corregedoria da Polícia Federal abriu investigações para apurar a produção e o eventual compartilhamento dos relatórios. O episódio coloca sob exame a cultura interna da corporação e a forma como serviços de inteligência têm sido produzidos e distribuídos.
Politicamente, a comemoração de Zema tem dupla leitura. Para o próprio Novo, a operação comunica iniciativa e compromisso com responsabilização, sinal útil em campanha. Para o ambiente institucional, porém, a instrumentalização política de episódios sensíveis pode aprofundar tensões entre poderes e alimentar disputas sobre autonomia da PF. Resta acompanhar se as investigações da Corregedoria produzirão elementos capazes de sustentar as alegações contidas no relatório — ou se o caso se tornará mais um ponto de atrito político sem desfecho definitivo. Em curto prazo, a movimentação aumenta a pressão sobre a cúpula da Polícia Federal e fortalece o debate público sobre limites e responsabilidades dentro da instituição.