Em sabatina na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, o pré-candidato Romeu Zema (Novo) afirmou que governar o Brasil exige "credibilidade". Na plateia de gestores municipais, ele disse que essa condição é central para liderar, unir e tomar decisões difíceis — um recado direto a prefeitos que reclamam da centralização das decisões em Brasília.

Zema afirmou que, se eleito, priorizará economia, segurança pública e a descentralização do poder de decisão, repetindo promessas comuns a outros postulantes. Na crítica ao governo federal, atacou a estratégia atual de segurança e acusou Brasília de não enfrentar o controle territorial de facções criminosas: "O plano do governo federal é uma enganação, simplesmente não trata questão dos territórios ocupados".

Governar exige coragem, mas exige, principalmente, credibilidade.

O tom combina apelo técnico com pressão política. Buscar apoio dos prefeitos faz sentido eleitoral e estratégico: são vozes influentes localmente e diariamente lidam com efeitos da criminalidade. Mas a promessa de transferir poder tem um problema prático — e fiscal. Descentralizar sem repassar recursos, ajustar orçamentos ou reformar a coordenação entre esferas cria risco de transferir responsabilidades sem meios para cumpri‑las.

Politicamente, o discurso serve para ampliar a presença de Zema no debate de segurança e marcar diferenças com o Planalto, ao mesmo tempo em que testa sua capacidade de transformar retórica em entrega. A eficácia dessa estratégia dependerá da capacidade de articular reformas orçamentárias e operacionais; caso contrário, a ênfase na "credibilidade" pode se transformar em munição para adversários e em mais uma promessa não cumprida.