O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, reagiu com críticas ao reajuste do Bolsa Família anunciado nesta quinta-feira, que ele resumiu como uma ação eleitoreira. Segundo sua equipe, Zema vê o aumento de R$600 para R$691 como um sinal de desespero do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após perda de espaço em pesquisas, e disse que a manobra mira recompor votos no segundo turno.

Na avaliação do presidenciável, a medida tem custo fiscal relevante: ele citou impacto de cerca de R$22 bilhões e considerou a iniciativa incompatível com responsabilidade com as contas públicas. Zema não negou a importância do programa, mas argumentou que o foco deveria ser qualificação e inserção no mercado formal. Como alternativa, propôs um prêmio de R$5 mil para beneficiários que conseguirem carteira assinada.

A ofensiva de Zema insere a oposição em posição de crítica direta à tática do governo, transformando o reajuste em arma de debate sobre sustentabilidade fiscal e eficácia das políticas sociais. Para o candidato do Novo, a oferta de recursos imediatos tende a acender alerta sobre prioridades orçamentárias e amplia desgaste político do Executivo entre eleitores preocupados com a trajetória da dívida e da inflação.

O episódio reforça o choque de narrativas no pré‑eleitoral: de um lado, o governo apresenta reajuste como resposta a demandas sociais; do outro, adversários destacam custo e possível efeito de curto prazo sobre intenção de voto. A disputa deve obrigar Lula a explicar origem dos recursos e a defender resultados do programa, enquanto Zema tenta transformar a proposta em vetor de sua agenda focada em emprego formal e responsabilidade fiscal.