O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema usou a cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, para fazer um discurso de tom crítico ao panorama político nacional. Ao qualificar a homenagem como um ato com significado especial diante do contexto atual, Zema pediu uma mudança estrutural e afirmou que o momento exige redefinição de prioridades institucionais.

Zema também reservou espaço para analisar a trajetória administrativa de Minas após sua gestão. Ao elogiar o sucessor, Mateus Simões, destacou a continuidade de medidas que considera essenciais: regularização de pagamentos, retomada de repasses a prefeituras, pagamento de salários e 13º e corte de despesas consideradas supérfluas. O tom foi de defesa de rigor fiscal e eficiência administrativa.

No trecho mais incisivo, o ex-governador criticou o funcionamento de instituições nacionais e a pressão tributária sobre o cidadão, aludindo a práticas que, segundo ele, privilegiam uma 'casta' protegida. Zema mencionou denúncias de corrupção e chegou a citar nominalmente um ministro do Supremo em sua avaliação sobre decisões judiciais, apontando desgaste ético prolongado na vida pública.

Politicamente, o discurso reforça a agenda conservadora-liberal que Zema tem defendido: combate a privilégios, corte de gastos e pressão por mudanças institucionais. Ao elogiar também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ele amplia interlocuções no campo opositor, sinalizando articulações e mensagens destinadas a Brasília. A fala tende a reacender o debate sobre reformas e a colocar maior pressão sobre a narrativa política nacional, sem, porém, apresentar propostas detalhadas para efetivar a 'mudança estrutural' proposta.