O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou, nesta quarta-feira, que a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na residência de Jair Bolsonaro foi "extremamente suspeita" e questionou a condução do caso pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A declaração foi dada a jornalistas após participação em evento da Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios, em Brasília.

Zema defendeu que a investigação deveria mirar outro ponto: o contrato de R$ 129 milhões celebrado entre a advogada Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em inquérito sobre supostas fraudes no sistema financeiro. Para o ex-governador, há contradição na escolha de alvos e, segundo ele, o Judiciário deveria demonstrar isonomia quando autoriza diligências de grande repercussão.

A busca cumprida pela Polícia Federal, determinada por Alexandre de Moraes, teve como objetivo localizar armas, munições, acessórios e documentos relativos a registros de armamento em nome do ex-presidente. Relatório da própria PF registrou que a diligência durou cerca de uma hora e que nenhum armamento foi encontrado. A ação integra medidas que incluem a manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro e ordens para entrega das armas registradas.

A posição pública de Zema tende a repercutir em dois planos: político e institucional. Ao apontar desigualdade de tratamento e focar em um contrato ligado ao circuito do ministro, o ex-governador busca sinalizar independência frente ao Judiciário e atrair eleitores críticos à atuação da Corte. Ao mesmo tempo, a crítica amplia o desgaste público entre Judiciário e parcela do centro-direita, alimentando narrativa de politização das investigações — um tema que pode acender alerta no debate eleitoral para 2026.