Durante visita à Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema reforçou sua crítica ao Supremo Tribunal Federal e defendeu uma Corte que não se proteja de investigações. O discurso, direcionado a jornalistas no evento do agronegócio, tem tom de campanha e tenta transformar a disputa institucional em bandeira eleitoral.
Zema afirmou que há ministros interessados em evitar apurações sobre sua própria conduta e disse que o atual formato do tribunal favorece negócios e proteção interna. Às críticas sobre instituições, acrescentou sua defesa da interação harmoniosa entre Poderes, lembrando que, como governador, manteve diálogo com Legislativo, Judiciário e Ministério Público em Minas.
O episódio ocorre em um palco que vem atraindo pré-candidatos de direita: além de Zema, passaram pela feira políticos como Flávio Bolsonaro, e espera-se a presença de Ronaldo Caiado. A polêmica foi ampliada pela série de sátiras do pré-candidato, que provocou reação pública do ministro Gilmar Mendes — e levou a menções à possibilidade de inclusão de Zema no inquérito das fake news.
Do ponto de vista político, o discurso acende alerta sobre o tom da campanha de Zema e a estratégia de capitalizar ressentimento contra o Judiciário. A retórica pode fortalecer seu eleitorado antipetista e liberal, mas também complica o diálogo com moderados e potenciais aliados que evitam confronto direto com cortes superiores — um risco político a ser administrado na corrida para 2026.