Em coletiva na Megaleite, em Belo Horizonte, o ex-governador Romeu Zema (Novo) culpou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela ameaça de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo Zema, a condução atual da política externa mostrou-se insuficiente para proteger interesses comerciais do país.
O comentário sucede a divulgação, pelos EUA, do resultado de uma investigação iniciada em julho passado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório norte-americano considera práticas brasileiras como "irrazoáveis" e propõe tarifas retaliatórias de 25% em um rol de produtos, embora a aplicação dependa de discussões futuras em Washington.
Na avaliação do ex-governador, a suposta aproximação do Brasil com regimes menos alinhados ao Ocidente e o distanciamento de parceiros tradicionais contribuíram para a deterioração do ambiente diplomático. Zema defendeu uma reaproximação comercial e diplomática com países ocidentais como caminho para reduzir riscos e recuperar confiança.
Além do impacto direto sobre exportadores e cadeias produtivas, o episódio acende alerta político: expõe fragilidades na articulação internacional do governo e amplia desgaste em uma agenda sensível para a economia. A possibilidade de tarifas elevadas torna tangível um custo político e econômico que pode pressionar ajustes na estratégia diplomática e dar munição à oposição nas próximas disputas eleitorais.