Em encontro com motoboys, o presidenciável Romeu Zema (Novo) defendeu que as plataformas de entrega adotem uma tarifa mínima por corrida e ofereçam mecanismos de proteção, como seguro de vida e saúde para os trabalhadores. Segundo o ex-governador, o Estado deve exigir garantias, mas a regulamentação precisa ser construída em conjunto com empresas e representantes da categoria, em vez de impor regras unilaterais.

Zema também voltou a defender uma alternativa à Consolidação das Leis do Trabalho, com possibilidade de contratação por hora, e sugeriu aprimoramentos ao regime do Microempreendedor Individual (MEI) para acomodar as especificidades do setor e garantir auxílio previdenciário em casos de acidentes. Para ele, o atual modelo dificulta a formalização de quem busca jornadas flexíveis e pode incentivar a informalidade.

A proposta busca navegar entre duas demandas: atender a uma crescente base de trabalhadores de plataformas e preservar o discurso de flexibilização pró‑mercado do seu campo político. No entanto, a ênfase no acordo com as próprias empresas levanta dúvida sobre até que ponto as medidas assegurariam direitos efetivos, em vez de transferir responsabilidades e custos para os prestadores de serviço.

Politicamente, o movimento coloca Zema em posição de protagonismo no debate sobre trabalho por aplicativo, em um segmento que tem impacto simbólico e eleitoral. A proposta sinaliza tentativa de ampliar a base entre gig workers, mas terá que detalhar como conciliar proteção social, custos para as plataformas e fiscalização estatal — pontos que definirão se a agenda será percebida como solução concreta ou discurso de conveniência.