O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), voltou a defender nas redes sociais, em vídeo publicado em 2/5, a ampliação do trabalho na adolescência por meio do programa jovem aprendiz. Ele sustentou que a medida seria necessária para ampliar oportunidades “com proteção, sem atrapalhar a escola” e citou a informalidade entre jovens como justificativa para mudanças.

Zema argumentou que milhões de adolescentes já trabalham de forma irregular e que a ausência de oportunidades legitima o aliciamento por facções, que teriam caminho pronto para recrutar jovens. Em entrevista recente, também responsabilizou setores ideológicos pela narrativa de que qualquer trabalho juvenil prejudica o desenvolvimento — posição que tende a dividir o debate público.

No Brasil, a lei veda trabalho para menores de 16 anos; adolescentes a partir de 14 podem atuar apenas como aprendizes, com restrições a atividades perigosas, noturnas e insalubres. Qualquer proposta de flexibilização, portanto, esbarra em salvaguardas legais e na necessidade de detalhar mecanismos robustos de proteção e fiscalização.

Politicamente, a retomada do tema reforça a estratégia de Zema de se posicionar em frentes construídas sobre emprego e segurança, pautas com apelo entre eleitores conservadores e indecisos. Ao mesmo tempo, a iniciativa expõe o pré-candidato a críticas de defensores dos direitos da criança e de setores da sociedade civil que veem risco de retrocesso em proteção social.

O resultado no curto prazo deve ser mais debate do que mudança imediata: a proposta exige texto legal claro, regras de fiscalização e articulação com educação e trabalho. Para a campanha, o desafio é transformar uma crítica legítima à informalidade em proposta viável, sem abrir mão das garantias que a legislação hoje impõe aos adolescentes.