Romeu Zema (Novo) voltou a afastar a hipótese de integrar como vice uma chapa liderada por Flávio Bolsonaro (PL) ou Ronaldo Caiado (PSD) e afirmou, nesta terça-feira na Megaleite, que levará sua pré-campanha até o fim do primeiro turno. A declaração reforça a estratégia de manter identidade própria, mesmo após reaproximações pontuais com lideranças da direita.
O encontro público entre os três marcou o primeiro gesto de convivência após o desgaste provocado pela divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Zema, que chegou a criticar a postura do senador na ocasião, evitou contudo selar aliança para a etapa inicial da disputa e repetiu que vê natural a divergência entre pré-candidatos, desde que haja união no eventual segundo turno contra o PT.
Politicamente, a opção de Zema por disputar o primeiro turno sem colar-se imediatamente ao bolsonarismo tem dupla leitura: preserva o eleitorado moderado do Novo, mas complica a formação de uma frente ampla já na fase inicial. A sinalização de união no segundo turno tenta responder à pressão por coesão da direita, mas não elimina tensões internas — no Novo houve quem sugerisse recuo, e no PL o episódio do pedido de recursos segue gerando constrangimento.
No curto prazo, Zema precisa consolidar base, ampliar presença nacional e demonstrar viabilidade eleitoral para transformar o discurso de segunda-feira — "união" — em poder de negociação política real. A insistência em campanha própria até o fim do primeiro turno indica que o jogo de alianças será movido por cálculo eleitoral e por como evoluirão as candidaturas e eventuais desgastes até 2026.