Em entrevista ao programa Canal Livre, exibido no domingo, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema afirmou que o país "não comporta" aumentos reais para aposentados e defendeu que salários mínimos e benefícios sejam reajustados apenas pela inflação. A declaração reforça um discurso fiscal rigoroso e retoma propostas liberais que o candidato já vinha associando ao seu projeto econômico.
Zema também defendeu o aumento do tempo de contribuição — mecanismo já em debate em reformas anteriores — e sugeriu que eventuais ganhos reais no salário mínimo sejam deixados a cargo do mercado, além de mencionar a possibilidade de pisos regionais. No discurso, insistiu que a manutenção do poder de compra será preservada pela correção inflacionária e disse que o "aposentado merece todo respeito".
A posição tem implicações políticas claras. Colocar limites a ganhos reais pode parecer coerente com uma agenda de responsabilidade fiscal, mas corre o risco de desgastar a pré-candidatura junto a eleitores idosos e às próprias bases sociais que dependem da renda mínima. Em um país onde a aposentadoria e o salário mínimo são temas sensíveis, a mensagem precisa ser articulada com alternativa concreta para evitar narrativa contrária sobre perda de proteção social.
No plano eleitoral, a declaração sinaliza que Zema pretende marcar terreno ideológico, privilegiando disciplina fiscal e ajustes estruturais. Resta saber como esse posicionamento será recebido por eleitores e por potenciais aliados políticos — e se a retórica se traduzirá em propostas detalhadas capazes de conter a crítica e evitar custo político nas vésperas da campanha.