O pré-candidato à Presidência Romeu Zema afirmou nesta quinta-feira, em entrevista à GloboNews, que a doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro ao Partido Novo, registrada nas prestações de contas de 2022 no Portal do TSE, não foi destinada a ele pessoalmente e teria sido um aporte ao partido. O episódio, que voltou a circular nas redes sociais após postagem do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em maio, reacendeu atenção sobre a origem de recursos ligados à família Vorcaro, cujo grupo empresarial inclui o Banco Master, objeto de investigação por supostas fraudes bilionárias.
Na defesa apresentada ao vivo, Zema ressaltou que, quando a contribuição foi feita, não havia indício público de irregularidade envolvendo o doador e que o valor integrou o caixa do partido e foi aplicado em campanhas estaduais e federais. O ex-governador negou ter recebido recursos do Banco Master ou de familiares diretamente e disse confiar que o Novo nunca aceitou compromissos condicionados a doações. Questionado sobre o caráter incomum de doações de alto valor, ele chegou a sugerir — em tom de defesa — que o contribuinte pode ter escolhido o “partido errado, por engano”.
Apesar das explicações, o reaparecimento do registro eleitoral tem custo político. A divulgação remete à imagem de controle rígido que o Novo busca projetar e abre espaço para adversários explorarem contradições entre discurso e prática. A cena também coloca em evidência lacunas de governança partidária: quem aprova doadores, como são avaliados riscos reputacionais e que tipo de transparência é oferecida ao eleitor. Esse tipo de narrativa, ainda que não prove conivência, tende a acender alerta e complicar a estratégia de comunicação da campanha.
O episódio segue como ponto sensível para acompanhar na corrida presidencial. Além de perguntas sobre a possibilidade jurídica de devolução de valores já aplicados em campanhas, o episódio sugere pressão por explicações públicas mais detalhadas do Novo e do próprio Zema — que concorre em chapa puro-sangue com o senador Luís Eduardo Girão — sobre critérios de aceitação de recursos e mecanismos de fiscalização interna.