Em sabatina realizada por O Globo, Valor Econômico e CBN, o candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou nesta terça-feira que o Supremo Tribunal Federal "se transformou, para alguns ministros, em balcão de negócios". Sem citar nomes, Zema enumerou casos que, segundo ele, ilustrariam o problema: contratos milionários envolvendo cônjuges, transações como a do Resort Tayayá e patrocínios de vulto ligados a banqueiros sob investigação. As declarações voltaram a colocar o ataque ao Judiciário no centro de sua narrativa de campanha.

Zema também questionou a condução de investigações de figuras próximas ao Palácio do Planalto, mencionando apurações envolvendo o filho do presidente e cobrando explicações sobre episódios que ligam financiamentos de obras culturais e produtores ao meio político. Sobre a investigação que apura vínculo entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, o candidato disse que "precisa dar explicações", e cobrou maior transparência nas apurações. Todas as acusações foram apresentadas por Zema como indícios de uso político do Judiciário, e não como fato jurídico consumado.

Além das críticas ao STF, o candidato atacou a concentração de emendas parlamentares e atribuiu o fenômeno a um Executivo enfraquecido por escândalos, que não teria margem para negociar sem ceder ao Congresso e ao próprio Judiciário. Em proposta prática, defendeu mudanças nos mecanismos de governança do Parlamento, a unificação das eleições para evitar o ciclo constante de campanhas e aumento das penas contra a corrupção. Zema também minimizou a falta de apoio dentro do próprio partido e lembrou que, em Minas Gerais, gastou menos com propaganda do que outros governadores — um argumento usado para explicar desempenho nas pesquisas.

Do ponto de vista político, a fala reacende conflito entre Executivo e Corte e acende alerta para uma campanha que procura capitalizar a insatisfação com instituições. O tom de denúncia pode reforçar sua ligação com eleitores anticasta e ampliar a polarização institucional, mas carrega risco: sem provas públicas e com linguagem acusatória, abre espaço para respostas judiciais e desgaste institucional que podem complicar articulações futuras com o Congresso. Em termos eleitorais, a tentativa de transferir o debate para corrupção e governança é clara — Zema aposta na decisão tardia de eleitores para ganhar fôlego —, mas a estratégia depende de converter indignação em confiança, e não apenas em retórica de ataque às instituições.