O pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, aproveitou o anúncio do governo dos Estados Unidos para elogiar o senador Flávio Bolsonaro e intensificar críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em vídeo nas redes sociais, Zema afirmou que as facções criminosas — citando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — representam ameaça à soberania ao controlar territórios onde, segundo ele, o Estado não exerce autoridade plena.
Zema saudou a aproximação com autoridades norte-americanas, atribuindo a Flávio Bolsonaro papel relevante na busca por cooperação. O Departamento de Estado, em comunicado atribuído ao secretário de Estado Marco Rubio, informou a classificação das duas facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e disse que pretende enquadrá‑las formalmente como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. O texto americano descreve os grupos como entre os mais violentos do país e aponta envolvimento em ataques e no tráfico.
Na sua fala, o ex-governador de Minas criticou o governo federal por, segundo ele, não ter atuado de forma efetiva contra essas organizações, apresentando o episódio como evidência de omissão que prejudica a segurança pública. A mensagem cumpre papel político claro: transformar um movimento de política externa em argumento para expor fragilidades do Executivo e ampliar o debate sobre segurança como tema central da campanha.
O uso do anúncio americano pelo candidato do Novo pode intensificar a pressão sobre o Palácio do Planalto, forçando resposta institucional e elevando o custo político de eventuais lacunas de comunicação ou ação. Para a oposição, a cena reforça uma agenda de segurança que busca capitalizar insatisfações reais da população; para o governo, aponta para a necessidade de articular resposta concreta e reequilibrar a narrativa sobre capacidade estatal de enfrentar o crime organizado.