Em entrevista ao CB.Poder, Romeu Zema reafirmou a aposta em segurança pública como pilar de campanha ao prometer um endurecimento explícito contra o crime organizado. O presidenciável do Novo defendeu que facções criminosas sejam tratadas como grupos terroristas e propôs uma força‑tarefa integrada — com Forças Armadas, Polícia Federal, Receita, Coaf, Abin e outros órgãos — para enfrentar lavagem de dinheiro, contrabando e atividades clandestinas. Zema também afirmou que 60 milhões de brasileiros vivem em áreas controladas por facções e citou o setor de energia do Rio de Janeiro como exemplo do avanço de atividades informais onde o Estado é ausente.

As medidas anunciadas têm efeitos imediatos na esfera jurídica e administrativa. Equiparar facções a grupos terroristas exige alterações legais e possivelmente ajustes no enquadramento penal e processual; do mesmo modo, a proposta de decretar prisão preventiva a partir da terceira audiência de custódia altera práticas adotadas hoje pelos tribunais. Zema reconheceu que isso implicaria necessidade de construir mais presídios, apontando um custo fiscal e operacional relevante. Em termos eleitorais, a clareza da proposta fala direto ao eleitorado que prioriza lei e ordem, mas transforma promessas em agenda legislativa que dependerá do Congresso e de controles judiciais.

Há também riscos institucionais e operacionais que a proposta provoca. A inclusão das Forças Armadas em uma força‑tarefa interna e a articulação entre múltiplos órgãos federalizados exigem regras claras de competência e controle para evitar sobreposição de atribuições e questionamentos sobre a proteção de direitos fundamentais. Coordenação entre intelligence, fiscalização tributária e polícia criminal não é trivial: demanda investimento em sistemas, formação e protocolos que não se resolvem apenas por decreto. Do ponto de vista institucional, medidas mais duras podem provocar embates com o Judiciário sobre critérios de prisão preventiva e com governos estaduais sobre comando operativo em território dos estados.

Por fim, o vínculo destacado por Zema entre segurança e desenvolvimento econômico merece atenção: o combate à economia clandestina e à lavagem de dinheiro pode, de fato, beneficiar arrecadação e empresas formais — mas depende de atuação persistente e de recursos públicos. A proposta acende um debate relevante para 2026: oferece uma narrativa forte de combate ao crime, mas também amplia o leque de desafios práticos e políticos — da necessidade de mudança legislativa e de investimento em vagas prisionais à potencial tensão entre uso das Forças Armadas e salvaguarda de direitos. Em suma, a ambição de endurecer a resposta ao crime organizado sinaliza prioridade de campanha, mas enfrenta obstáculos jurídicos, fiscais e institucionais que exigirão mais do que retórica para serem superados.