Em entrevista ao programa Canal Livre, o governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), defendeu nesta semana o endurecimento das regras para programas de transferência de renda. Segundo ele, o recebimento de benefícios deveria passar pela exigência de aceitação de emprego formal, com acompanhamento do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e das secretarias municipais de assistência social.

Zema disse não pretender extinguir as políticas assistenciais, mas afirmou que há fraudes e que parte dos beneficiários recusa vagas formais. Ao criticar o atual modelo, relatou cenas do interior em que adultos optariam por permanecer em casa e consumir internet e entretenimento em vez de trabalhar, e anunciou que pretende penalizar quem recusar uma oferta sem justificativa, com possível suspensão do benefício.

A proposta encampa uma pauta de rigor e condicionalidade que conversa com a ênfase conservadora e fiscal do eleitorado do Novo, mas levanta questões operacionais e jurídicas: como garantir oferta efetiva de vagas formais em municípios menores, como comprovar recusa qualificada e qual o impacto sobre famílias vulneráveis que dependem do benefício como complemento de renda?

Politicamente, a fala pode reforçar a imagem de Zema como defensor de disciplina fiscal e combate a fraudes, útil na pré-campanha para 2026, porém também expõe o pré-candidato ao desgaste entre movimentos sociais, órgãos de assistência e setores que alertam para o risco de aumento da exclusão. A proposta tende a abrir disputas sobre implementação e controle, com potencial repercussão no Congresso e no Judiciário.