Durante evento na AmCham em São Paulo, o ex-governador mineiro e pré-candidato do Novo, Romeu Zema, afirmou que o eleitor que optar por Flávio Bolsonaro corre o risco de favorecer a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração, feita nesta segunda-feira (25), enquadra o episódio como um fator que muda o jogo político para a direita.
Zema reagiu às reportagens que ligaram o senador ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e às mensagens divulgadas pelo The Intercept sobre tentativa de repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. O presidenciável do Novo classificou a relação como altamente problemática e criticou a proximidade entre o parlamentar e o banqueiro, cuja instituição é alvo de investigações por fraudes financeiras.
As consequências eleitorais já começaram a aparecer nas pesquisas: levantamento da Atlas/Bloomberg mostrou queda de 5,4 pontos em intenções de voto de Flávio, para 34,3%, enquanto Lula apareceu com 47%. Para Zema, a combinação do escândalo e da oscilação nas sondagens acende alerta para o campo conservador e amplia o desgaste do projeto político ligado ao clã Bolsonaro.
O recado de Zema expõe uma tensão interna na oposição: além de cobrar sinais de clareza sobre financiamentos e relações privadas, o episódio pressiona aliados a rever estratégias para 2026. Se a direita não contiver perda de capital político e não oferecer alternativas claras, a tendência é reforçar a vantagem do atual presidente — ainda que o quadro permaneça sujeito a novas notícias e variações nas intenções de voto.