O candidato do Partido Novo à Presidência, Romeu Zema, lançou oficialmente sua campanha neste domingo em Montes Claros, no Norte de Minas. A agenda começou com participação em missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José; em seguida o ex-governador apresentou à imprensa pontos centrais de sua plataforma, com ênfase na atração de investimentos.
Zema retomou a narrativa de gestão, afirmando ter priorizado a aproximação com o setor produtivo e ressaltando experiência em negociar com empresários. Criticou a burocracia estatal como entrave ao empreendedorismo e colocou sua vivência administrativa como trunfo para competir em nível nacional: "sei conversar com o empresário", disse, ao apontar o aparato estatal como obstáculo.
Na entrevista, o candidato voltou a projetar o objetivo de chegar ao segundo turno e tratou da estratégia da direita em eventual desfecho contra o PT. Citou o exemplo do Chile, onde, segundo ele, forças do mesmo campo se uniram na etapa final, e declarou que, se não avançar, votará em qualquer candidato que consiga disputar com o PT.
A sinalização de unidade é, na prática, uma tentativa de construir centralidade entre concorrentes de perfil semelhante. Mas o gesto enfrenta obstáculos reais: fragmentação do eleitorado de direita, disputas por espaço político e a necessidade de converter boa relação com empresários em base eleitoral consistente. A promessa de apoio genérico também levanta questões sobre articulação e condições que candidatos adversários aceitariam.
Na ponta prática, Zema aposta em credencial técnica e diálogo com o mercado para ampliar sua viabilidade. Resta ver se essa combinação será capaz de transformar menções a investimentos e apoios pontuais em capilaridade eleitoral suficiente para cumprir a ambição do segundo turno.